Brasil intensifica a fiscalização de anúncios de apostas durante as transmissões da Copa do Mundo.
Jefferson Leão Pires, do Poliszezuk advogados, avalia que o problema ultrapassa a publicidade durante a Copa e exige maior controle sobre a presença das bets no esporte.

Governo brasileiro ampliou a fiscalização sobre a publicidade de casas de apostas exibida durante as transmissões da Copa do Mundo, especialmente na CazéTV, um dos principais meios de tramissão ao vivo dos jogos da Copa do Mundo de 2026. A Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), o Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar) e a Secretaria de Prêmios e Apostas passaram a investigar anúncios que, em tese, estimulariam apostas impulsivas, enfatizariam ganhos e apresentariam avisos sobre riscos de forma insuficiente. Como resultado, alguns anúncios tiveram sua suspensão recomendada e emissoras e operadoras foram notificadas a prestar esclarecimentos.
Embora a publicidade de apostas esportivas não seja proibida no Brasil, ela deve observar regras de proteção ao consumidor, transparência e jogo responsável. O debate ganhou força diante do aumento expressivo do número de apostadores durante a Copa do Mundo e da crescente preocupação com o endividamento e o vício em jogos.
O advogado Jefferson Leão Pires, do Poliszezuk Advogados, em entrevista concedida à Courthouse News Service, sustenta que o problema das apostas esportivas vai muito além das transmissões da Copa do Mundo. Segundo ele, a chamada "epidemia das apostas" já está consolidada no Brasil e não pode ser enfrentada apenas com medidas voltadas às transmissões de um único evento esportivo.
Para Jefferson, o principal problema não é apenas a legalidade da publicidade das apostas, mas a forma como essas empresas passaram a integrar o próprio espetáculo esportivo. Em sua avaliação, patrocínios, merchandising, chamadas em tempo real e outras estratégias de marketing normalizam um produto de risco e o inserem de maneira natural na experiência do torcedor.
O advogado defende que a resposta regulatória deve ser mais ampla e alcançar todas as formas de promoção das casas de apostas no esporte, e não apenas anúncios específicos durante partidas da Copa do Mundo. Em sua visão, o modelo atual contribui para banalizar um produto que, assim como álcool e tabaco, pode gerar impactos sociais relevantes e, por isso, merece um tratamento regulatório mais rigoroso.
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