Recebi um Pix por engano: posso ficar com o dinheiro? Entenda o que fazer

Receber um Pix por engano não autoriza o uso do dinheiro: especialistas alertam para os riscos criminais e civis da retenção indevida dos valores.

O crescimento do Pix tornou as transferências bancárias mais rápidas e acessíveis, mas também aumentou os casos de envio de valores por engano. Diante dessa situação, muitas pessoas se perguntam se podem permanecer com o dinheiro recebido. A resposta é não. A legislação brasileira impõe o dever de devolver os valores ao verdadeiro proprietário, sendo recomendável utilizar a função "Devolver Pix" disponível no aplicativo da instituição financeira, em vez de realizar uma nova transferência. Essa medida evita fraudes, como o conhecido "golpe do Pix errado", em que criminosos solicitam a devolução para uma conta diversa da conta de origem.

A matéria também explica que, embora o Banco Central não possua norma específica obrigando a devolução de um Pix enviado por erro, a conduta de se apropriar do valor pode configurar o crime de apropriação de coisa havida por erro, previsto no art. 169 do Código Penal. Além da responsabilização criminal, quem se recusa a devolver o dinheiro pode responder civilmente pelo prejuízo causado ao verdadeiro titular dos recursos.

Segundo o advogado Jefferson Leão Pires, especialista em Direito Civil e Direito do Consumidor, sócio do Poliszezuk Advogados, o recebimento de um Pix por engano não gera qualquer direito de propriedade sobre o valor, ainda que o crédito tenha ingressado regularmente na conta do destinatário.

Para Jefferson, o ordenamento jurídico brasileiro é claro ao estabelecer que ninguém pode enriquecer às custas de um erro alheio. Assim, a retenção ou utilização do dinheiro recebido indevidamente pode gerar consequências nas esferas civil e criminal, especialmente quando o beneficiário toma conhecimento do equívoco e, mesmo assim, opta por não devolver os valores.

O advogado ressalta ainda que a forma mais segura de proceder é utilizar exclusivamente a funcionalidade "Devolver Pix" disponibilizada pelo banco, evitando realizar uma nova transferência para chaves informadas por terceiros. Essa cautela reduz significativamente o risco de o destinatário ser vítima do chamado golpe do Pix errado, em que o fraudador recebe o valor por outra conta e, posteriormente, solicita a devolução da transferência original por meio dos mecanismos bancários.

Na avaliação de Jefferson Leão Pires, a popularização do Pix exige que os usuários conheçam não apenas o funcionamento da ferramenta, mas também as responsabilidades jurídicas decorrentes de sua utilização. "A rapidez das transações não afasta a aplicação da lei. Agir com boa-fé e devolver corretamente um valor recebido por engano é a conduta que protege tanto o patrimônio do verdadeiro titular quanto a segurança jurídica de quem recebeu a transferência por equívoco", conclui.



Matéria Completa: https://www.techtudo.com.br/guia/2026/07/recebi-um-pix-por-engano-posso-ficar-com-o-dinheiro-entenda-o-que-fazer-edapps.ghtml

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